Questões comentadas Odonto da banca FCC

Questões comentadas Odonto da banca FCC

Questões comentadas Odonto da banca FCC

A Fundação Carlos Chagas (FCC) é reconhecida nacionalmente por elaborar provas que exigem do candidato uma leitura atenta, interpretação precisa e sólido embasamento técnico-científico. Nas questões de Odontologia, observa-se uma forte valorização da prática clínica baseada em evidências, aliada ao conhecimento normativo, ético e preventivo. Os temas abordados transitam entre Saúde Pública, Radiologia, Odontopediatria, Estomatologia, Cirurgia, Cariologia, Periodontia, Prótese Dentária e Farmacologia, sempre contextualizados em situações clínicas reais. Dessa forma, o candidato é desafiado a integrar conceitos fundamentais, condutas clínicas seguras e tomada de decisão racional, refletindo o perfil esperado de um cirurgião-dentista atuante no serviço público e institucional.

 

Saúde Publica

  1. (FCC – TRT 15 ª Região SP/2025) A equipe de coordenação de um levantamento epidemiológico de saúde bucal decidiu não incluir a fluorose dentária no protocolo da pesquisa. Um dos vários aspectos que influenciam decisões desse tipo é que essa anomalia

 

(A)        é frequentemente considerada um problema de saúde pública e, tendo em vista a alta objetividade dos índices utilizados para avaliá-la, facilitam a produção de inferências populacionais, mas em decorrência do viés de observação, comprometendo a fidedignidade dos dados.

(B)        não é considerada, em determinados contextos, um problema de saúde pública, sendo alta a subjetividade dos índices utilizados para avaliá-la, o que compromete inferências populacionais, em decorrência do viés de observação.

(C)        apresenta características clínicas tais que, independentemente de ser considerada ou não um problema de saúde pública, são de difícil detecção por examinadores, nas condições em que os dados são coletados, resultando em elevada proporção de casos falsos-positivos nas categorias de moderada e grave manifestação patológica.

(D)        não é considerada, em determinados contextos, um problema de saúde pública, sendo baixa a subjetividade dos índices utilizados para avaliá-la, razão pela qual não há comprometimento de inferências populacionais e são raros os vieses de observação.

(E)        é frequentemente considerada um problema de saúde pública e, tendo em vista a baixa subjetividade dos índices utilizados para avaliá-la, a sua não inclusão decorre sobretudo de dificuldades relacionadas com o financiamento da investigação científica.

(E)

Gabarito: B

Alternativa (A) – Errada

Porque afirma que a fluorose é frequentemente considerada um problema de saúde pública e que os índices possuem alta objetividade. Na prática, a fluorose nem sempre é considerada um problema de saúde pública, especialmente quando ocorre em graus muito leves, e os índices utilizados (como Dean) apresentam subjetividade, com possibilidade de vieses de observação.

 

Alternativa (B) – Certa

Está correta porque descreve adequadamente os motivos que podem levar à exclusão da fluorose em levantamentos epidemiológicos. Em determinados contextos, a fluorose não é considerada um problema de saúde pública e os índices empregados para sua avaliação apresentam alta subjetividade, o que favorece o viés de observação e compromete a confiabilidade das inferências populacionais.

 

Alternativa (C) – Errada

Porque a fluorose, embora possa gerar dúvidas diagnósticas, não é de difícil detecção a ponto de produzir elevada proporção de falsos-positivos nas formas moderadas e graves. Essas formas apresentam sinais clínicos mais evidentes, sendo menos sujeitas a erro diagnóstico.

 

Alternativa (D) – Errada

Porque afirma que os índices possuem baixa subjetividade e que os vieses de observação são raros. Na realidade, a avaliação da fluorose envolve julgamento clínico e iluminação adequada, sendo reconhecidamente sujeita a subjetividade e variação interexaminador.

 

Alternativa (E) – Errada

Porque associa a não inclusão da fluorose principalmente a problemas de financiamento, o que não reflete o principal motivo metodológico. O fator mais relevante é a subjetividade dos índices e o viés de observação, e não, prioritariamente, limitações financeiras.

 

Radiologia

  1. (FCC – TRT 15 ª Região SP/2025) Paciente com 57 anos de idade, sexo feminino, relata que “gostaria de fazer um implante” em substituição aos dentes 34 e 35, extraídos há “cerca de 2 anos”. O exame clínico mostra restaurações satisfatórias em amálgama nos dentes 16, 17, 25, 26, 27, 36, 37, 45, 46 e 47 e a paciente relata ter realizado tratamento endodôntico nos dentes 36 e 37.

Algumas informações para o diagnóstico e elaboração do plano terapêutico são obtidas por meio de técnicas por imagem, como a:

(A)        radiografia periapical da região de pré-molares inferiores pela técnica da bissetriz, cuja vantagem é a melhor qualidade de imagem em comparação à técnica do paralelismo.

(B)        tomografia computadorizada de feixe cônico, cuja principal limitação é a ampliação variável no tamanho da imagem em 10% a 15%.

(C)        radiografia panorâmica, que permite avaliar a dimensão vestibulolingual da região de interesse, bem como uma estimativa da largura óssea.

(D)        tomografia computadorizada de feixe cônico, que possibilita visualizar variações anatômicas, como a existência de canal mandibular bífido.

(E)        radiografia panorâmica em substituição ao levantamento periapical completo, uma vez que a paciente não apresenta exames de imagem anteriores.

Gabarito: D

 

Alternativa (A) – Errada

A técnica da bissetriz não apresenta melhor qualidade de imagem em relação à técnica do paralelismo. Ao contrário, a técnica do paralelismo é a mais indicada por oferecer menor distorção e maior fidelidade dimensional, especialmente importante no planejamento reabilitador e implantodôntico.

 

Alternativa (B) – Errada

A tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC) não tem como principal limitação a ampliação variável da imagem. Diferentemente das radiografias convencionais, a TCFC apresenta dimensões mais fiéis, com mínima distorção, sendo indicada exatamente para avaliações tridimensionais precisas.

 

Alternativa (C) – Errada

A radiografia panorâmica não permite avaliação da dimensão vestibulolingual nem fornece estimativa confiável da largura óssea. Trata-se de um exame bidimensional, sujeito a distorções e limitações anatômicas, inadequado para essa finalidade específica.

 

Alternativa (D) – Certa

A tomografia computadorizada de feixe cônico possibilita a visualização tridimensional das estruturas ósseas, permitindo identificar variações anatômicas importantes para o planejamento de implantes, como a presença de canal mandibular bífido, além de mensurar altura, espessura óssea e relação com estruturas nobres.

 

Alternativa (E) – Errada

A radiografia panorâmica não substitui o levantamento periapical completo. Esses exames são complementares, e a panorâmica, por si só, não fornece detalhes suficientes para diagnóstico fino e planejamento terapêutico, especialmente em Implantodontia.

 

Odontopediatria

  1. (FCC – TRT 15 ª Região SP/2025) Paciente com 27 anos de idade, sexo feminino, relata que seu bebê completou 5 meses de idade e, por meio das redes sociais, tem acessado conteúdos de influenciadoras que sugerem uma alimentação “calórica e rica em açúcares”. Na orientação sobre os hábitos alimentares, o cirurgião-dentista deve abordar a importância de:

 

(A)        permitir o consumo, com moderação e em pequenas quantidades, de balas, salgadinhos e refrigerantes nos primeiros anos de vida.

(B)        evitar o consumo de carboidratos, que são calóricos e cariogênicos, prevenindo a obesidade infantil e a cárie dentária.

(C)        dar alimentação complementar apropriada após os 6 meses, continuando com a amamentação até a idade de 2 anos.

(D)        ofertar leite materno até os 6 meses de idade, intercalando com água, suco natural de frutas ou chá sem açúcar.

(E)        oferecer uma alimentação complementar colorida e sólida a partir dos 6 meses de idade, que deve ser ingerida com colher.

Gabarito: C

Alternativa (A) – Errada

A introdução de balas, salgadinhos e refrigerantes nos primeiros anos de vida não é recomendada. Esses alimentos ultraprocessados são ricos em açúcares, aumentam o risco de cárie dentária, obesidade infantil e alterações no paladar, contrariando as diretrizes de alimentação saudável na primeira infância.

 

Alternativa (B) – Errada

Porque carboidratos não devem ser evitados, pois são importantes fontes de energia para o crescimento e desenvolvimento infantil. O que deve ser evitado é o consumo excessivo de açúcares livres, e não a exclusão dos carboidratos de forma geral.

 

Alternativa (C) – Certa

Está correta porque segue as recomendações do Ministério da Saúde e da OMS:

Amamentação exclusiva até os 6 meses;

Introdução de alimentação complementar adequada a partir dos 6 meses, mantendo o leite materno até os 2 anos ou mais.

Essa orientação promove saúde geral, desenvolvimento adequado e contribui para a prevenção da cárie precoce da infância.

 

Alternativa (D) – Errada

Até os 6 meses de idade, o bebê deve receber apenas leite materno, sem necessidade de água, chás ou sucos. A introdução desses líquidos antes dos 6 meses pode prejudicar a amamentação e aumentar o risco de infecções e desequilíbrios nutricionais.

 

Alternativa (E) – Errada

Embora a alimentação complementar deva iniciar aos 6 meses, ela não precisa ser necessariamente sólida. A consistência deve ser gradual, começando por alimentos amassados ou pastosos, respeitando o desenvolvimento neuromotor da criança.

 

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Estomatologia

  1. (FCC – TRT 15 ª Região SP/2025) Paciente com 57 anos de idade, sexo feminino, queixa-se da sensação de “boca seca”. Durante a anamnese, o cirurgião-dentista percebe a halitose da paciente. O exame clínico mostra recessão gengival, bem como a presença de saburra no dorso da língua.

A compreensão sobre a etiologia da xerostomia é obtida por meio da elaboração da história da paciente, mediante:

(A)        a escuta atenta sobre alguns hábitos, como a ingestão frequente de café.

(B)        o respeito à autonomia da paciente quanto ao uso de enxaguatórios bucais sem álcool.

(C)        a confiança da paciente, ao sentir-se confortável para relatar o diagnóstico de sífilis.

(D)        o encontro terapêutico que possibilita relatar alterações no paladar.

(E)        o acolhimento ao relato de abstinência alcoólica, iniciada há cerca de 7 anos

Gabarito: A

Alternativa (A) – Certa

Porque a ingestão frequente de café é um hábito que pode contribuir para a sensação de boca seca, uma vez que a cafeína tem efeito estimulante e pode reduzir o fluxo salivar ou aumentar a percepção de xerostomia. A escuta atenta desses hábitos durante a anamnese é fundamental para compreender a etiologia funcional e comportamental da xerostomia, além de sua relação com halitose e saburra lingual.

 

Alternativa (B) – Errada

Porque o respeito à autonomia quanto ao uso de enxaguatórios bucais sem álcool refere-se à conduta ética e educativa do profissional, mas não esclarece possíveis causas da xerostomia.

 

Alternativa (C) – Errada

Porque o relato de diagnóstico de sífilis não tem relação direta com a etiologia da xerostomia descrita no caso. Embora algumas doenças sistêmicas possam cursar com alterações bucais, a sífilis não é causa clássica de redução do fluxo salivar.

 

Alternativa (D) – Errada

Porque alterações no paladar podem ser consequência da xerostomia, mas não constituem um elemento determinante para esclarecer sua etiologia principal. Trata-se de um achado associado, e não causal.

 

Alternativa (E) – Errada

Porque a abstinência alcoólica iniciada há cerca de 7 anos não explica o quadro atual de xerostomia. O álcool pode causar ressecamento bucal durante o consumo ativo, mas a interrupção prolongada elimina sua relação etiológica com a queixa atual.

 

  1. (FCC – TRT 15 ª Região SP/2025) Paciente com 63 anos de idade, sexo feminino, relata que “a entrada na menopausa” ocorreu há 8 anos e, desde então, vem sentindo alguns “desconfortos” ao ingerir “alimentos bem condimentados’, que ela aprecia muito e chega a sentir “a lingua grudar no céu da boca”. Porém, o principal incómodo é a sensação intermitente de “lingua queimando”. A paciente apresenta caracteristica: compatíveis com o quadro clínico de sindrome da ardência bucal.

O diálogo com a paciente possibilita que o cirurgião-dentista ofereça sugestões sobre a mudança de micro-hábitos com potencial para reduzir o desconforto relatado, como:

(A)        reduzir a quantidade de alimentos apimentados.

(B)        substituir o café por chocolate quente.

(C)        evitar a ingestão de iogurte de frutas.

(D)        consumir barrinhas de cereais entre as refeições.

(E)        aumentar a frequência de ingestão de alimentos quentes

Gabarito: A

Alternativa (A) – Certa

Está correta porque a redução da ingestão de alimentos apimentados é uma das principais orientações comportamentais para pacientes com síndrome da ardência bucal, especialmente em mulheres no período pós-menopausa. Alimentos condimentados, ácidos ou muito picantes atuam como fatores desencadeantes ou agravantes da sensação de queimação na língua e na mucosa oral, intensificando o desconforto relatado.

 

Alternativa (B) – Errada

Porque substituir o café por chocolate quente não reduz o desconforto da ardência bucal. O chocolate contém substâncias estimulantes e pode desencadear ou piorar sintomas, além de bebidas quentes também poderem intensificar a sensação de queimação.

 

Alternativa (C) – Errada

Porque a ingestão de iogurte de frutas, em geral, não está associada à piora da síndrome da ardência bucal. Pelo contrário, alimentos frios e de textura macia tendem a ser melhor tolerados por pacientes com esse quadro.

 

Alternativa (D) – Errada

Porque barrinhas de cereais, além de serem alimentos secos e potencialmente aderentes, podem aumentar a sensação de ressecamento bucal, contribuindo para o desconforto, e não têm papel benéfico na redução da ardência.

 

Alternativa (E) – Errada

Porque o aumento da ingestão de alimentos quentes tende a agravar a sensação de queimação, já que a temperatura elevada é um fator conhecido de piora dos sintomas da síndrome da ardência bucal.

 

Dentística

  1. (FCC – TRT 15ª Região-SP: Campinas/2025) Paciente com 36 anos de idade, sexo feminino, casada, relata ter “quebrado o dente” após uma “queda da cama” na noite anterior. A paciente apresenta um hematoma ao redor do olho esquerdo e marcas sugestivas de mordida na bochecha direita. O exame clínico mostra fratura coronária envolvendo o ângulo mesioncisal do dente 21, sem exposíção pulpar, e contusão no lábio superior. O exame radiográfico mostra ausência de fratura radicular.

 

O plano terapêutico relativo ao dente 21 consiste em:

 

(A)        restauração Classe IV com compósitos semelhantes ao esmalte, ou seja, menos translúcidos.

(B)         coroa provisória confeccionada com dente de estoque.

(C)         faceta indireta em cerâmica.

(D)        colagem homogênea, se for possível localizar o fragmento do dente da paciente.

(E)         restauração direta Classe IV em resina composta, utilizando a técnica incremental.

 

Gabarito: E

Alternativa (A) – Errada

Por se tratar de uma restauração classe IV é necessário a utilização sim de compósitos semelhantes ao esmalte, mas estes são mais translúcidos e menos opacos, quando comparados aos compósitos semelhantes à dentina.

 

Alternativa (B) – Errada

A confecção de coroa provisória é um tratamento excessivamente invasivo para o quadro, uma vez que se trata de apenas uma fratura coronária envolvendo o ângulo mesioincisal do dente 21, e desta forma, apenas a restauração com resina composta é o tratamento mais indicado.

 

Alternativa (C) – Errada

Faceta indireta em cerâmica é um tratamento mais caro e mais demorado para se realizar no caso descrito quando comparado com a restauração direta com resina composta.

 

Alternativa (D) – Errada

Como não há menção do fragmento do dente da paciente, este não é um tratamento indicado. Se houvesse menção que a paciente tinha o fragmento, este tratamento poderia ser uma opção. Além disso, todo o enunciado indica que a paciente não sofreu uma queda da cama, mas provavelmente um caso de violência doméstica que a mesma não quer mencionar por vergonha.

 

Alternativa (E) – Certa

Porque no caso relatado no enunciado a restauração direta classe IV é o tratamento mais barato, rápido e menos invasivo, sendo a melhor solução para o caso descrito.

 

Cariologia

(FCC – TRT 15 ª Região SP/2025) Na patogênese da cárie dentária, o biofilme dental exerce uma função essencial para o desenvolvimento da doença, que é produção de

 

(A)        dissacarídeos intracelulares, a partir da glicose, que, embora apresente baixo potencial cariogênico, forma ácidos lentamente.

(B)        dissacarídeos extracelulares, a partir da galactose, que, embora apresente alto potencial cariogênico, forma ácidos rapidamente.

(C)        polissacarídeos extracelulares, a partir da lactose, cujo potencial cariogênico é alto.

(D)        polissacarídeos extracelulares, a partir da sacarose, cujo potencial cariogênico é alto.

(E)        polissacarídeos intracelulares, a partir da frutose, cujo potencial cariogênico é alto

 

Gabarito: D

Alternativa (A) – Errada

Porque os dissacarídeos intracelulares formados a partir da glicose não representam o principal fator de virulência do biofilme dental na cárie. Além disso, a glicose isoladamente não favorece, da mesma forma que a sacarose, a formação da matriz extracelular adesiva responsável pela retenção bacteriana e pelo aumento da cariogenicidade.

 

Alternativa (B) – Errada

Porque a galactose não é o carboidrato mais relevante na patogênese da cárie dentária. Embora possa ser fermentada, ela não possui a mesma capacidade da sacarose de originar polissacarídeos extracelulares estruturantes do biofilme, essenciais para a adesão bacteriana e manutenção do ambiente ácido.

 

Alternativa (C) – Errada

Porque a lactose, apesar de ser fermentável, apresenta menor potencial cariogênico quando comparada à sacarose. Ela não é o principal substrato envolvido na produção de polissacarídeos extracelulares responsáveis pela alta adesividade e virulência do biofilme dental.

 

Alternativa (D) – Certa

Na patogênese da cárie dentária, o biofilme exerce papel essencial por meio da produção de polissacarídeos extracelulares a partir da sacarose. Esses polissacarídeos aumentam a adesão bacteriana à superfície dental, favorecem a retenção de ácidos e intensificam a desmineralização do esmalte, conferindo à sacarose alto potencial cariogênico.

 

Alternativa (E) – Errada

Os polissacarídeos intracelulares derivados da frutose funcionam apenas como reserva energética bacteriana e não são os principais responsáveis pela estrutura do biofilme. O fator determinante para a cariogenicidade elevada está relacionado aos polissacarídeos extracelulares, especialmente os derivados da sacarose.

 

Periodontia

  1. (FCC – TRT 15 ª Região SP/2025) Paciente com 57 anos de idade, sexo feminino, queixa-se da sensação de “boca seca”. Durante a anamnese, o cirurgião-dentista percebe a halitose da paciente. O exame clínico mostra recessão gengival, bem como a presença de saburra no dorso da língua.

A saburra lingual:

  1. é formada pelo aumento da concentração de mucina, células epiteliais descamadas e microrganismos proteolíticos.
  2. requer a remoção por meios mecânicos, como os raspadores linguais, pois apresenta relevância na ocorrência da halitose.

III. é associada à língua geográfica e não apresenta significado clínico.

  1. necessita ser removida por meios químicos de uso contínuo, como a clorexidina a 0,12% de 12 em 12 horas.

Está correto o que se afirma APENAS em:

(A)        II e IV

(B)        II e III

(C)        I e II

(D)        III e IV

(E)        I e IV

Gabarito: C

Alternativa (A) – Errada

Embora a afirmativa II esteja correta, a IV está errada. A saburra lingual não necessita de remoção por meios químicos de uso contínuo, como clorexidina a 0,12% a cada 12 horas. O uso prolongado desse antisséptico pode causar efeitos adversos, como pigmentação dentária, alteração do paladar e desequilíbrio da microbiota oral, não sendo indicado como rotina para controle da saburra.

 

Alternativa (B) – Errada

Porque a afirmativa III é falsa. A saburra lingual não está associada à língua geográfica e apresenta, sim, significado clínico, especialmente por sua relação direta com a halitose e com alterações na microbiota da cavidade bucal.

 

Alternativa (C) – Certa

Está correta, pois as afirmativas I e II são verdadeiras:

 

I: a saburra lingual é composta por mucina, células epiteliais descamadas, restos alimentares e microrganismos proteolíticos, responsáveis pela produção de compostos sulfurados voláteis.

 

II: a remoção da saburra deve ser feita por meios mecânicos, como raspadores linguais ou escovação da língua, uma vez que ela tem papel relevante na etiologia da halitose.

 

Alternativa (D) – Errada

Está incorreta porque ambas as afirmativas são falsas. A III erra ao afirmar que a saburra não tem significado clínico, e a IV erra ao indicar a necessidade de remoção química contínua com clorexidina, conduta que não é recomendada para uso prolongado.

 

Alternativa (E) – Errada

Apesar da afirmativa I estar correta, a IV é falsa. A abordagem principal no controle da saburra lingual é mecânica, e não química de uso contínuo.

 

Prótese Dentaria

  1. (FCC – TRT 15 ª Região SP/2025) Paciente com 14 anos de idade, sexo masculino, relata sua “insatisfação” com o aspecto estético do “espaço” existente entre os dentes 11 e 21, o que motiva repetidos comentários depreciativos e apelidos pejorativos por parte de seus colegas na escola. O exame clínico mostra diastema mediano interincisivos de 1,1 mm, ausência de lesões cariosas e condição gengival satisfatória. O freio tetolabial apresenta inserção 5 mm acima da margem gengival e, ao ser tracionado, não provoca isquemia na papila palatina.

A elaboração do plano terapêutico para a correção desse diastema deve considerar algumas possibilidades, como:

(A)        frenectomia labial e fechamento ortodôntico do diastema

(B)        coroas totais em porcelana nos dentes 11 e 21

(C)        frenectomia labial e acompanhamento para o fechamento espontâneo do diastema

(D)        restaurações atípicas em resina composta nos dentes 11 e 21

(E)        fechamento ortodôntico do diastema e caracterização arredondada nas restaurações em resina composta

Gabarito: D

 

Após esse artigo leia também o nosso artigo sobre a prótese clique aqui para ler, tema muito recorrente nos concursos públicos

 

Alternativa (A) – Errada

E não há indicação de frenectomia labial. O freio apresenta inserção alta (5 mm acima da margem gengival) e, ao tracionamento, não provoca isquemia na papila, sinal clássico de que ele não é etiológico para o diastema. Assim, a frenectomia seria um procedimento desnecessário.

 

Alternativa (B) – Errada

A confecção de coroas totais em porcelana em um paciente jovem (14 anos), com dentes hígidos e sem lesões, configura tratamento excessivamente invasivo, com grande desgaste dentário, sem justificativa clínica ou estética proporcional ao problema apresentado.

 

Alternativa (C) – Errada

Além de não haver indicação de frenectomia, o diastema apresentado (1,1 mm) ocorre em um paciente de 14 anos, faixa etária em que o fechamento espontâneo já é pouco provável, especialmente quando não há relação causal com o freio labial.

 

Alternativa (D) – Certa

Está correta porque as restaurações atípicas em resina composta nos dentes 11 e 21 representam uma abordagem conservadora, estética e reversível, indicada quando:

 

  •             o diastema é pequeno;
  •             não há alteração periodontal;
  •             não há indicação ortodôntica obrigatória;
  •             existe impacto psicossocial relevante para o paciente.

 

Essa conduta permite corrigir a forma dentária e fechar o espaço com mínima intervenção.

 

Alternativa (E) – Errada

O fechamento ortodôntico isolado não é, necessariamente, a primeira escolha em diastemas pequenos e sem alteração funcional. Além disso, a menção a “caracterização arredondada nas restaurações” após fechamento ortodôntico é incoerente, uma vez que o espaço já estaria fechado apenas com a ortodontia.

 

Farmacologia

  1. (FCC – TRT 15 ª Região SP/2025) O prontuário de paciente com 68 anos de idade, sexo masculino, registra 87 kg de peso corporal e o uso contínuo de medicamento anti-hipertensivo. O planejamento terapêutico reabilitador do paciente consiste em substituição de uma restauração insatisfatória em amálgama no dente 15 e instalação de implante mucossuportado no arco inferior.

Considerando a possibilidade de intercorrências cardiovasculares, o planejamento cirúrgico para a instalação de implante mucossuportado no arco inferior deve contemplar:

(A)        o limite máximo de 4 tubetes de anestésico contendo epinefrina a 1:100.000 por sessão de atendimento.

(B)        a prescrição de Midazolam 7,5 mg, via oral, 30 minutos antes da intervenção.

(C)        a prescrição de Alprazolam 7,5 mg, via oral, 30 minutos antes da intervenção.

(D)        a substituição do sal anestésico lidocaína a 2% por lidocaína a 3%.

(E)        o uso profilático de Nifedipina por via sublingual.

Gabarito: B

Alternativa (A) – Errada

Em pacientes com risco cardiovascular e uso contínuo de anti-hipertensivos, não se recomenda como conduta principal estabelecer apenas um número máximo fixo de tubetes com epinefrina. Embora exista limite seguro (geralmente até 2 tubetes de epinefrina 1:100.000 em pacientes cardiopatas), o foco da prevenção de intercorrências cardiovasculares está no controle da ansiedade e do estresse, e não apenas na quantidade de anestésico.

 

Alternativa (B) – Certa

Porque a prescrição de midazolam 7,5 mg por via oral, cerca de 30 minutos antes do procedimento, é uma conduta adequada para sedação mínima/ansiólise. O controle da ansiedade reduz a liberação endógena de catecolaminas, que pode ser mais prejudicial ao sistema cardiovascular do que a própria epinefrina presente no anestésico local. Trata-se de uma medida preventiva apropriada em cirurgias implantodônticas em pacientes hipertensos.

 

Alternativa (C) – Errada

Porque o alprazolam na dose de 7,5 mg é excessivamente alta e insegura. As doses usuais de alprazolam para ansiólise prévia variam entre 0,25 mg e 0,75 mg. A dose proposta poderia causar sedação profunda, depressão respiratória e instabilidade hemodinâmica.

 

Alternativa (D) – Errada

Porque aumento da concentração de lidocaína de 2% para 3% não oferece benefício cardiovascular e, ao contrário, pode aumentar o risco de toxicidade do anestésico local. Além disso, a concentração de 2% é a mais indicada e segura para procedimentos cirúrgicos odontológicos.

 

Alternativa (E) – Errada

O uso profilático de nifedipina por via sublingual não é recomendado em Odontologia. Essa prática é obsoleta e pode provocar queda abrupta da pressão arterial, taquicardia reflexa e isquemia, aumentando o risco de eventos adversos durante o procedimento.

 

Conclusão

A análise das questões da banca FCC demonstra uma tendência clara à cobrança de conteúdos aplicados, com foco no raciocínio clínico, na interpretação de sinais e sintomas e no respeito às diretrizes técnicas e legais que norteiam a Odontologia contemporânea. Mais do que o simples reconhecimento de conceitos, a FCC exige do candidato capacidade crítica para correlacionar dados clínicos, radiográficos e sistêmicos, bem como para adotar condutas seguras e humanizadas. Assim, uma preparação eficiente deve priorizar o estudo aprofundado dos fundamentos biológicos, clínicos e normativos, aliado à prática constante de resolução de questões no padrão FCC, o que se mostra essencial para o bom desempenho em concursos de alto nível como os promovidos pelos Tribunais Regionais do Trabalho.

 

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Escrito por Darcio Kitakawa. Mestre em Biopatologia Bucal pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2003) e Doutorado em Biopatologia Bucal pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2006). Fundador da CD Concursos e Autor do Livro 10.000 Questões para Concursos de Odontologia.

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