Pseudo Cistos: Definição, Classificação, Diagnóstico e Abordagem Clínica. Como é cobrado em provas de Concursos?

Pseudo Cistos como é cobrado em concursos

Pseudo Cistos: Definição, Classificação, Diagnóstico e Abordagem Clínica. Como é cobrado em provas de Concursos?

Os pseudocistos constituem um grupo peculiar de alterações ósseas que se diferenciam dos cistos verdadeiros por não apresentarem revestimento epitelial. Na prática clínica, essa característica os coloca em uma categoria especial, exigindo atenção diferenciada tanto no diagnóstico quanto na conduta terapêutica. Embora menos frequentes que os cistos odontogênicos inflamatórios e de desenvolvimento, seu reconhecimento é fundamental para evitar diagnósticos equivocados e condutas inadequadas. Na Odontologia, especialmente em concursos e exames de residência, o tema dos pseudocistos aparece com frequência variável, dependendo da banca examinadora. Bancas como a Vunesp, por exemplo, historicamente cobram questões sobre o tema, exigindo do candidato conhecimento aprofundado acerca da etiologia, aspectos radiográficos, diagnóstico diferencial e condutas recomendadas. E o conhecimento destas patologias é um grande diferencial no seu preparo para os Concursos.

Este artigo tem como objetivo revisar de forma didática e aprofundada os principais conceitos relacionados aos pseudo cistos, destacando sua classificação, manifestações clínicas e radiográficas, diagnóstico diferencial, opções terapêuticas e importância em provas de seleção.

 

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Definição de Pseudo Cistos

O termo “pseudo” deriva do grego e significa “falso”. Assim, os pseudocistos são denominados dessa forma por se tratarem de cavidades intraósseas ou alterações ósseas radiográficas que não possuem revestimento epitelial, característica fundamental dos cistos verdadeiros.

Portanto, embora se apresentem radiograficamente como áreas radiolúcidas semelhantes a cistos, não se enquadram na definição clássica de cisto, sendo classificados como falsos cistos ou lesões não císticas de aspecto cístico.

 

Classificação e Tipos Principais

Três entidades compõem classicamente o grupo dos pseudo cistos dos maxilares:

  1. Cisto Ósseo Traumático
  2. Cisto Ósseo Aneurismático
  3. Cisto Ósseo Estático (Defeito de Stafne)

DDD (Dica Do Dárcio): para você nunca mais esquecer quais são os pseudocistos, guarde que eles tem no nome Cisto Ósseo ____ tico

Cada uma dessas entidades apresenta particularidades clínicas e radiográficas que serão detalhadas a seguir.

  1. Cisto Ósseo Traumático

Também conhecido como cisto ósseo solitário ou cavidade óssea idiopática, o cisto ósseo traumático é caracterizado por uma cavidade óssea vazia ou preenchida apenas por fluido seroso, sem revestimento epitelial. Sua etiologia não é completamente elucidada, mas a teoria mais aceita envolve trauma local, com consequente hemorragia intraóssea e falha na organização do coágulo sanguíneo.

Epidemiologia:

  • Mais comum em adolescentes e adultos jovens, geralmente entre 10 e 20 anos.
  • Predomina no sexo masculino.
  • Localização típica: mandíbula, especialmente na região entre o canino e o ramo ascendente.

Aspectos radiográficos:

  • Lesão radiolúcida, bem delimitada.
  • Frequentemente apresenta contornos que se insinuam entre as raízes dentárias (imagem crenada ou em cone).
  • Dentes associados permanecem vitais.

Conduta terapêutica:

O tratamento consiste em exploração cirúrgica com curetagem das paredes da cavidade, estimulando a formação de coágulo e subsequente neoformação óssea. Em geral, o prognóstico é excelente, com raros casos de recidiva.

  1. Cisto Ósseo Aneurismático

O cisto ósseo aneurismático é uma lesão intraóssea expansiva, também desprovida de revestimento epitelial, caracterizada pela presença de espaços sanguíneos irregulares, separados por septos de tecido conjuntivo fibroso e osso reativo. Seu comportamento é mais agressivo em relação ao cisto ósseo traumático, podendo gerar expansão significativa do osso.

Epidemiologia:

  • Acomete principalmente indivíduos com menos de 30 anos.
  • Predomina na mandíbula.
  • Pode estar associado a outras lesões, como granuloma central de células gigantes.

Aspectos clínicos e radiográficos:

  • Expansão óssea rápida, podendo causar aumento de volume visível.
  • Lesão radiolúcida frequentemente multilocular, com margens mal definidas.
  • Adelgaçamento das corticais, o que pode levar à crepitaçã
  • Durante a punção, há extravasamento de sangue abundante, o que auxilia no diagnóstico.

Conduta terapêutica:

A biópsia excisional em consultório deve ser evitada devido ao risco de sangramento intenso (sendo importante a manobra de punção previamente ao acesso de qualquer lesão intra-óssea). O tratamento adequado envolve curetagem ou enucleação em ambiente hospitalar, podendo ser precedido de embolização em casos mais extensos. O prognóstico é favorável quando abordado corretamente.

 

  1. Cisto Ósseo Estático (Defeito de Stafne)

O chamado defeito de Stafne ou cisto ósseo estático não é, na realidade, uma patologia, mas sim uma variação anatômica. Trata-se de uma concavidade localizada na face lingual da mandíbula, geralmente na região do ângulo mandibular, decorrente da pressão exercida pela glândula submandibular sobre o osso adjacente.

Epidemiologia:

  • Mais comum em homens.
  • Diagnosticado geralmente em exames radiográficos de rotina, visto que é assintomático.
  • Localização clássica: região do ângulo da mandíbula, abaixo do canal mandibular.

Aspectos radiográficos:

  • Imagem radiolúcida, bem delimitada, localizada abaixo do canal mandibular.
  • Característica estável ao longo do tempo, sem sinais de expansão ó

Conduta terapêutica:

Por não se tratar de uma lesão patológica, não há necessidade de tratamento. O acompanhamento clínico-radiográfico é suficiente.

 

Aspectos Clínicos e Radiográficos Gerais

Os pseudocistos compartilham algumas características importantes:

  • São lesões geralmente assintomáticas, diagnosticadas em exames de imagem de rotina.
  • Podem causar expansão óssea nos casos de cisto aneurismático.
  • Os dentes relacionados permanecem vitais, diferindo dos cistos inflamatórios, como o radicular.
  • A punção aspirativa é exame auxiliar fundamental, permitindo diferenciar pseudo cistos de lesões vasculares.

 

Diagnóstico Diferencial

O diagnóstico diferencial dos pseudo cistos deve incluir:

  • Cistos odontogênicos inflamatórios (radicular, residual, paradental).
  • Cistos odontogênicos de desenvolvimento (dentígero, periodontal lateral, queratocisto odontogênico).
  • Displasias fibro-ósseas (displasia fibrosa, displasia cemento-óssea).
  • Lesões vasculares intraósseas (hemangiomas).
  • Tumores odontogênicos benignos (ameloblastoma, mixoma).

A anamnese detalhada, o exame clínico, os testes de vitalidade pulpar e a análise radiográfica são ferramentas essenciais. A punção aspirativa se destaca como exame indispensável antes da realização de biópsia de lesões intraósseas.

 

Tratamento e Condutas Clínicas

  • Cisto ósseo traumático: exploração cirúrgica, curetagem e indução de coágulo.
  • Cisto ósseo aneurismático: curetagem ou enucleação em ambiente hospitalar; pode requerer embolizaçã
  • Cisto ósseo estático: não necessita intervenção, apenas acompanhamento.

De modo geral, o prognóstico dos pseudo cistos é excelente, desde que corretamente diagnosticados e tratados.

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Importância em Provas e Concursos

Em concursos da área odontológica, especialmente os de abrangência nacional e estadual, os pseudo cistos têm sido abordados de forma recorrente.

  • Vunesp: é a banca que mais cobra questões sobre pseudo cistos, principalmente envolvendo diagnóstico diferencial.
  • SESC e FGV: costumam priorizar cistos odontogênicos, mas já apresentaram casos em que os pseudo cistos aparecem como alternativa incorreta ou diagnóstico diferencial.
  • Cebraspe (Cespe): questões mais conceituais, exigindo do candidato discernimento entre cistos verdadeiros e pseudo cistos.

Questões comuns incluem:

  • Identificação de imagens radiográficas tí
  • Reconhecimento de que não há revestimento epitelial.
  • Conduta terapêutica adequada para cada tipo.
  • Diagnóstico diferencial com cistos odontogênicos e tumores intraó

 

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Exemplos de questões que cai na prova

 

(VUNESP – Campinas-SP/2019) Paciente procurou unidade básica de saúde para tratamento odontológico de rotina sem queixas bucais. Após realização de radiografia panorâmica de mandíbula, o cirurgião dentista identificou imagem radiolúcida, circunscrita, de limites definidos e corticalizados entre o assoalho do canal mandibular e a cortical da base da mandíbula, sem assimetrias ósseas. A hipótese diagnóstica para o paciente e o tratamento preconizado são, respectivamente:

 

(A) displasia fibrosa; osteoplastia cosmé

(B) cisto periapical inflamatório; tratamento endodôntico com apicectomia do dente envolvido pela lesã

(C) queratocisto; ressecçã

(D) displasia cemento-óssea florida; curetagem cirúrgica.

(E) cisto ósseo de Stafne; acompanhamento clínico e radiográfico.

 

Gabarito: E

Resposta correta: cisto ósseo de Stafne; acompanhamento clínico e radiográfico.

 

(VUNESP – Exército/2021) Paciente de 22 anos, gênero feminino, leucoderma, apresenta aumento de volume firme e não pulsátil na região posterior, vestibular, no lado esquerdo da mandíbula.

Radiograficamente, observa-se processo osteolítico com margem discretamente irregular. Sabendo-se tratar de uma lesão benigna do osso e que não apresenta microscopicamente revestimento epitelial, uma hipótese de diagnóstico plausível para o caso clínico descrito é

 

(A) osteossarcoma.

(B) mieloma múltiplo.

(C) cisto ósseo aneurismático.

(D) linfoma de Burkitt.

(E) cisto dentígero.

 

Gabarito: C

Resposta correta: cisto ósseo aneurismático.

 

(VUNESP – Santo André-SP/2024) Lesão reacional, desprovida de revestimento epitelial, caracterizada por acúmulo intraósseo de espaços de diversos tamanhos preenchidos por sangue e circundados por tecido conjuntivo fibroso celular e osso reativo. A descrição apresentada é compatível com

 

(A) cisto radicular.

(B) cisto ósseo aneurismático.

(C) queratocisto.

(D) cisto periodontal lateral.

(E) cisto nasolabial.

 

Gabarito: B

Gabarito: cisto ósseo aneurismático.

 

(FAUEL – Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana-PR: Buco/2022) As lesões císticas dos maxilares são lesões patológicas comuns. É um grupo composto por condições diferentes, tanto de origem odontogênica como não odontogênica. Em relação às lesões císticas dos maxilares, é CORRETO afirmar que:

 

(A) os cistos odontogênicos são mais comuns, e, dentre eles, o periodontal lateral é observado com maior frequencia.

(B) na sua maioria, os cistos radiculares apresentam-se como inchaços de crescimento lento, indolores, associados a um dente com vitalidade, ou como achados incidentais nas radiografias panorâmica.

(C) os cistos dentígeros são mais comuns em mulheres do que em homens e geralmente apresentam-se como um inchaço sintomático, encontrado quando se investiga a não erupção de um dente.

(D) os cistos periodontais laterais, em geral, são assintomaticos e identificados radiograficamente entre as raizes dos dentes, muitas
vezes na área de caninos e pré-molares inferiores sem vitalidade pulpar.

(E) os cistos ósseos aneurismáticos são cistos não revestidos por epitélio, ocorrem ocasionalmente nos maxilares, e são mais comuns na mandíbula do que na maxila.

 

Gabarito: E

Resposta correta: os cistos ósseos aneurismáticos são cistos não revestidos por epitélio, ocorrem ocasionalmente nos maxilares, e são mais comuns na mandíbula do que na maxila.

 

(CONSESP – SPDM-Uberlândia/2018) Em fase de dúvida diagnóstica entre Cisto de Stafne e Cisto ósseo solitário, o recurso mais adequado a ser utilizado é:

 

(A)Radiografi

(B) Biopsia.

(C) Sialografia.

(D) Cintilografia

 

Gabarito: C

Resposta correta: Sialografia

 

 

Considerações Finais

Os pseudocistos, apesar de menos frequentes que os cistos odontogênicos, possuem grande relevância clínica e acadêmica. O correto reconhecimento dessas lesões evita condutas equivocadas e possibilita um manejo adequado, garantindo o bem-estar do paciente.

Além disso, o domínio do tema é estratégico para candidatos em concursos públicos e processos seletivos na área de Odontologia, visto que diversas bancas já cobraram direta ou indiretamente conhecimentos sobre essas entidades.

Assim, compreender a natureza dos pseudo cistos, suas características radiográficas, diagnósticos diferenciais e opções de tratamento é essencial não apenas para a prática clínica, mas também para o sucesso em avaliações acadêmicas e profissionais.

Escrito por Darcio Kitakawa. Mestre em Biopatologia Bucal pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2003) e Doutorado em Biopatologia Bucal pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2006). Fundador da CD Concursos e Autor do Livro 10.000 Questões para Concursos de Odontologia.

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