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ToggleFundamentos da Prótese Parcial Removível
A PPR é indicada quando o paciente apresenta áreas desdentadas que não podem ser reabilitadas de maneira fixa por ausência de pilares adequados, limitações financeiras dos pacientes ou contraindicações aos implantes. Pode ser dento-suportada, muco-dento suportada ou muco-suportada, dependendo da extensão das áreas edêntulas.
A PPR dento-suportada é biomecanicamente mais favorável, enquanto as próteses com extremidades livres — as classes I e II de Kennedy — apresentam uma dinâmica mais complexa, por envolverem apoio em tecido resiliente na região posterior. Nestes casos, o controle das forças de alavanca é crucial.
Elementos Constituintes da PPR e Suas Funções
Para que uma PPR funcione adequadamente, cada componente deve cumprir corretamente seu papel dentro do conjunto protético. A seguir, os principais elementos são detalhados conforme a abordagem da aula transcrita.
Grampos (Retentores Diretos)
Os grampos são dispositivos fundamentais para oferecer retenção, estabilidade e reciprocidade. Os principais tipos são:
a) Grampos Circunferenciais (Ação de corpo)
São os mais indicados para dentes posteriores. Possuem:
- braço de retenção,
- braço de oposição (ou reciprocidade),
- apoio,
- corpo do grampo.
Características importantes:
- O braço retentivo é o único segmento flexível.
- Ele deve ultrapassar o equador protético e alcançar a área de retenção de 0,25 mm.
- Os 2/3 iniciais são rígidos; apenas o terminal é flexível.
b) Grampos de Ação de Ponta (tipo T, I, Y, L, W)
Também chamados de grampos tipo RPI/RPA, são muito utilizados em dentes anteriores ou pré-molares.
Funções:
- Evitar sobrecarga de dentes frágeis.
- Minimizar o impacto visual (melhor estética).
- Trabalhar por “engajamento” em área retentiva localizada abaixo do equador.
Apoios (Rest Seats)
Apoio é sinônimo de fixação ou suporte, conceito frequentemente cobrado em concursos.
Funções principais:
- Evitar que a prótese afunde em direção gengival.
- Transmitir forças axialmente.
- Estabilizar o conjunto durante a mastigação.
- Manter relação oclusal em dentes inclinados (macroapoio).
Tipos de apoios:
- Apoio oclusal (molares e pré-molares)
- Apoio em cíngulo (dentes anteriores)
- Apoio em incisais (pouco utilizado atualmente)
O preparo deve ser feito exclusivamente em esmalte, com brocas tronco-cônicas invertidas. Caso atinja dentina, deve-se restaurar e refazer o preparo.
Conectores Maiores
Os conectores maiores unem todos os componentes da PPR e devem ser rígidos, bilaterais e eficientes na transmissão das forças mastigatórias.
a) Conectores da Maxila
- Barra Palatina Dupla
- Indicação universal
- Maior rigidez e conforto
- Barra Palatina Anterior (ferradura / U)
- Menos rígida
- Indicada quando há tórus palatino posterior
- Recobrimento Parcial Anterior
- Recobrimento Parcial Médio
- Placa Palatina Total
- Indicada quando há poucos dentes
- Fornece retenção indireta adicional
b) Conectores da Mandíbula
- Barra Lingual
- Indicação universal
- Necessita 7 mm de altura entre gengiva marginal e assoalho bucal
- Linguoplate
- Indicado quando há mobilidade de incisivos
- Atua como ferulização
- Barra Sublingual
- Para pacientes com rebordo muito baixo
- Barra Vestibular
- Rara, usada somente quando há lingualização severa dos dentes anteriores
Selas Protéticas
As selas são as estruturas responsáveis por suportar os dentes artificiais e entrar em contato íntimo com o rebordo edêntulo.
Importante na prova da armação:
Durante a prova da armação metálica, deve existir alívio de 1 mm entre a sela metálica e a mucosa, verificado com fio dental. Esse espaço será ocupado posteriormente pela resina acrílica.
Delineamento e Planejamento: Papel Fundamental do Cirurgião-Dentista
O delineador — também chamado de paralelômetro — é o instrumento que determina a trajetória de inserção da PPR, localização das áreas retentivas e preparo dos planos guia. Grande parte dos cirurgiões dentistas não faz esta parte, delegando para os técnicos de prótese
Funções do delineador:
- Identificar:
- equador protético
- áreas retentivas
- superfícies paralelas
- zonas que requerem desgastes seletivos
- Auxiliar na escolha do tipo de grampo
- Determinar posicionamento dos conectores menores
- Planejar selas e apoios
Ponto crucial:
O planejamento da PPR é atribuição exclusiva do cirurgião-dentista e nunca do técnico em prótese dentária.
Isso inclui:
- localização dos apoios
- tipo de grampo
- extensão das selas
- tipo de conector maior
Essa afirmação aparece repetidamente em provas.
Classificação de Kennedy e Regras de Applegate
A classificação mais utilizada para PPR é a de Kennedy, complementada pelas Regras de Applegate. Provavelmente é o assunto mais cobrado nas questões de Concursos de Odontologia dentro da especialidade de prótese.
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Classes de Kennedy
- Classe I: áreas desdentadas posteriores bilaterais (extremidade livre).
- Classe II: área desdentada posterior unilateral.
- Classe III: espaço intercalado posterior ou anterior com dentes em ambos os lados.
- Classe IV: área desdentada anterior que cruza a linha média.
Regras de Applegate
As principais são:
- As áreas posteriores determinam a classificação.
- As demais áreas são chamadas modificações.
- A extensão (número de dentes perdidos) não importa; importa o número de áreas.
- Classe IV não aceita modificações.
- Terceiros molares só são considerados se presentes e funcionais.
Exemplos:
- Uma área intercalada posterior + outra área posterior = Classe III Modificação 1.
- Ausência de 11 e 21: Classe III (não cruza a linha média).
- Ausência de 11, 21, 12 e 22: Classe IV (cruza a linha média).
Biomecânica da PPR em Extremidade Livre
Muito cobrada em concursos.
Nas classes I e II, existe tendência de rotação da prótese em torno do apoio mais próximo da área edêntula.
Para controlar esse movimento, utiliza-se:
- retentores indiretos
- apoio mesial em pré-molares
- sistemas RPI (apoio mesial; placa proximal; grampo de ação de ponta)
O objetivo é reduzir forças torcionais excessivas que possam prejudicar o dente pilar.
Importância do Planejamento Correto para o Sucesso Clínico
A PPR não é simplesmente “uma prótese com grampo”. Ela é um conjunto sistemático de princípios biomecânicos que, quando aplicados corretamente, gera:
- saúde periodontal dos dentes pilares
- melhor função mastigatória
- longevidade da prótese
- conforto ao paciente
- estética satisfatória
Um planejamento inadequado gera:
- soltura frequente
- mobilidade dos dentes pilares
- fraturas de grampo
- dor e feridas na mucosa
- falha total da prótese
Daí a grande importância do domínio técnico do dentista.
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Exemplos de questões que caem nas provas de Concursos de Odontologia
(SESC – SP – Franca/2024) Planejamento PPR classe II modificação 1.
Classificação de Kennedy e desenho.

- Classificação de Kennedy: Classe II, mod. 1
- RD: 33,43 e 47.
- RI: 43
- 33: Grampo ação de Ponta em T com placa distal e apoio em cíngulo
- 43: Grampo ação de ponta em I com placa distal e apoio em cíngulo
- 47: Ackers com apoio mesial
SESC-SP – Birigui-SP/2025) De a classificação e faça o desenho:

- Classificação de Kennedy: Classe III
- RD: 17, 13
- RI: não tem, mas para dar simetria, 24,26,27.
- Grampo e localização dos apoios e placas próximas:
- Conector maior: Recobrimento parcial médio
Conclusão
A Prótese Parcial Removível permanece como uma ferramenta indispensável na reabilitação oral, especialmente em sistemas públicos de saúde e em cenários em que opções mais complexas não são viáveis. O conteúdo do arquivo fornecido mostra que o ensino da PPR exige atualização, compreensão biomecânica e atenção rigorosa aos detalhes, tanto para aplicação clínica quanto para concursos públicos.
Dominar conceitos como grampos, conectores, apoios, planos guia, equador protético, classificação de Kennedy e as Regras de Applegate garante não apenas um planejamento seguro e previsível, mas também uma vantagem expressiva em provas concorridas.
A PPR, quando corretamente planejada e executada, é uma solução eficiente, estável e duradoura, representando um dos pilares mais importantes da prótese odontológica.
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