Cariologia para o concurso da Transpetro 2026: o que mudou e como a Cesgranrio cobra

Cirurgião-dentista avaliando mancha branca ativa em estudo de cariologia para o concurso da Transpetro 2026

Cariologia para o concurso da Transpetro 2026: o que mudou e como a Cesgranrio cobra

Cariologia é o tema mais cobrado nas provas de Odontologia da Cesgranrio, banca do concurso da Transpetro 2026 (prova em 29 de novembro). O ponto de virada é conceitual: desde 2015 a cárie deixou de ser tratada como doença infectocontagiosa transmissível e passou a ser entendida como uma desbiose mediada pelo biofilme e dependente do consumo frequente de açúcar. Quem estuda só por questões antigas acaba fixando o conceito errado. Neste artigo você revisa o conceito atual, pH crítico, diagnóstico de atividade, critérios de restauração, dentina infectada x afetada e todos os números de flúor que a banca costuma pedir.O concurso da Transpetro 2026 trouxe vaga para cirurgião-dentista no Edital nº 04 (Terra, nível superior), com lotação prevista no Rio de Janeiro, inscrições até 14 de setembro e prova em 29 de novembro, pela Fundação Cesgranrio.Como a Cesgranrio não aplica provas de Odontologia com frequência, boa parte do material de treino é antiga — há questões de 2005 a 2014 circulando, carregando conceitos que a Odontologia já superou. Estudar só por elas significa fixar teoria desatualizada. A estratégia certa é resolver a questão antiga, entender o que a banca queria na época e atualizar a teoria em cima dela. O conteúdo a seguir segue a aula inaugural do preparatório da Transpetro, com a professora Carolina Cardoso Guedes, especialista em Odontopediatria, mestre e doutora em Ciências pela Unifesp/Escola Paulista de Medicina.

Neste artigo, você encontrará o conceito atual de cárie, os critérios clínicos de atividade da lesão, quando restaurar (e quando não restaurar), e o bloco de flúor completo. Quer estudar tudo isso direcionado para a banca? Conheça o preparatório da CD Concursos para a Transpetro:

 

A cárie ainda é uma doença infectocontagiosa transmissível?

Não. Desde o congresso da ORCA, em 2015, esse conceito foi abandonado — já são mais de dez anos, e as bancas estão atualizadas. A cárie dentária é hoje entendida como uma desbiose: um desequilíbrio do biofilme dependente do consumo de açúcar.

Estreptococos do grupo mutans e lactobacilos fazem parte da microbiota bucal de todos nós e, em equilíbrio, não causam doença. O agente determinante é a sacarose: com consumo frequente de açúcar, essas bactérias metabolizam o substrato, produzem ácidos orgânicos — principalmente o lático —, acidificam o meio, criam ambiente favorável ao próprio crescimento e passam a predominar. O ácido é que causa a desmineralização.

Guarde para a prova: o ácido lático é o principal ácido bacteriano envolvido na cárie. E cárie não tem plural: a doença é a cárie dentária; o que se vê na boca são as lesões.

O que é pH crítico e por que ele cai tanto em prova?

pH crítico é o valor de pH abaixo do qual o dente passa a perder mais minerais do que ganha. Ele é diferente para esmalte e dentina, e muda na presença de flúor.

• Esmalte: pH crítico 5,5 (sem flúor) e 4,5 (com flúor).

• Dentina: pH crítico 6,5 (sem flúor) e 5,5 (com flúor).

Desmineralização e remineralização acontecem o tempo todo — o processo DES-RE. Acima do pH crítico, o saldo é favorável; abaixo dele, a perda de cálcio, fosfato e flúor supera o ganho e a lesão progride. O flúor dá margem extra: abaixo de 5,5 perde-se hidroxiapatita, mas a fluorapatita só se dissolve abaixo de 4,5.

Como diferenciar lesão de cárie ativa e inativa?

Pelo aspecto clínico: a lesão ativa é opaca e rugosa (ou úmida e amolecida, em dentina); a inativa é lisa, brilhante e dura. Os termos “cárie aguda” e “cárie crônica” não são mais usados — hoje se classifica a lesão em ativa ou inativa.

No esmalte, a primeira evidência clínica é a mancha branca: começa subclínica, depois só é visível após secagem prolongada (cerca de 3 segundos) e, com mais perda mineral, torna-se visível a olho nu. A ativa é opaca, rugosa, com aspecto de giz, em área de acúmulo de biofilme (cervical, oclusal, fóssulas e fissuras). Quando inativa, fica lisa e brilhante — não desaparece e pode até pigmentar, porque o tecido poroso absorve pigmentos da dieta.

Em dentina, a lesão ativa é úmida, amolecida e removida com facilidade pela cureta. A inativa é dura, lisa, brilhante, com aspecto de couro — a cicatriz de uma doença que existiu.

Quando restaurar e quando não restaurar uma lesão de cárie?

Lesão restrita ao esmalte não se restaura: remineraliza-se. E lesão inativa, em área que o paciente consegue higienizar, não tem indicação de tratamento restaurador — falando em saúde e controle de doença, não em estética.

Na mancha branca não cavitada, a conduta é remineralização: profilaxia e controle de biofilme, orientação de higiene e de dieta (com foco na frequência de açúcar) e flúor tópico. O processo também ocorre fisiologicamente — daí ser comum encontrar manchas brancas inativas em pacientes que nunca receberam intervenção.

Nas lesões inativas, a proservação é a regra. As exceções são áreas que o paciente não consegue higienizar (proximais, sulcos profundos) e indicações que não são de cariologia: estética, anatomia, ponto de contato — lembrando que restaurar por estética coloca o paciente no ciclo restaurador repetitivo.

Outro conceito antigo que ainda aparece: pigmentação marginal não é sinônimo de infiltração. A interface dente-material pigmenta com o tempo, como o rejunte de uma parede — avalie clínica e radiograficamente antes de trocar. O mesmo vale para erosão, abrasão, atrição e abfração: desgaste, por si só, não é critério de restauração.

Qual a diferença entre dentina infectada e dentina afetada?

A dentina infectada é amolecida, tem a matriz de colágeno degradada e não pode ser reparada; a afetada é mais endurecida, mantém a matriz colágena e é passível de remineralização — por isso deve ser preservada.

A divisão é didática, vem de Fusayama (anos 1970) e segue valendo para prova. Diferente do esmalte, secretado uma única vez pelo ameloblasto, a dentina é tecido vivo: enquanto houver vitalidade pulpar, o odontoblasto segue produzindo dentina, e o complexo dentino-pulpar responde à invasão bacteriana com esclerose dos túbulos e dentina reparadora.

Essa é a base do tratamento restaurador atraumático (ART) e da remoção seletiva: remove-se o tecido infectado, sobretudo nas paredes laterais, mantém-se a dentina afetada e faz-se bom selamento marginal. Com vedamento adequado e higiene mantida, a lesão paralisa. A preocupação atual está na qualidade da restauração, não na quantidade de tecido removido.

Como o flúor age e quais concentrações caem na prova?

O efeito relevante do flúor é o tópico, não o sistêmico. O fluoreto presente no meio bucal inibe a desmineralização e ativa a remineralização — ele não precisa estar incorporado ao dente para agir.

Acreditou-se por muito tempo que o dente formado com apatita fluoretada nasceria mais resistente, mas o grau de solubilidade dessa apatita é semelhante ao da hidroxiapatita. O ganho real vem depois da erupção: no DES-RE, perde-se hidroxiapatita e ganha-se fluorapatita, que se dissolve em pH mais baixo. Por isso a água fluoretada segue essencial — pelo efeito tópico, em todas as idades, inclusive quando o fluoreto retorna à boca pela saliva.

Água fluoretada + dentifrício fluoretado bastam para a maioria da população. Formas adicionais ficam reservadas ao risco elevado: água sem flúor ou com teor abaixo do ótimo, população sem acesso a dentifrício fluoretado, CPO-D médio maior que 3 aos 12 anos e uso de aparelho ortodôntico.

Concentrações que a banca pede

• Verniz: 22.600 ppm F.

• Gel ou espuma (mousse): 12.300 ppm F.

• Dentifrício: mínimo de 1.000 ppm F para ter efeito anticárie; legislação brasileira permite até 1.500 ppm (infantis costumam ter 1.100 e adultos, 1.450). Formulações de 5.000 ppm são de uso sob prescrição.

• Bochecho semanal ou quinzenal (NaF 0,2%): 900 ppm F.

• Bochecho diário (NaF 0,05%): 225 ppm F.

• Água de abastecimento no Brasil: em torno de 0,7 ppm F, teor definido conforme a média de temperatura anual.

Quais doses de flúor você precisa saber de cor?

Se for para decorar uma só, decore a dose provavelmente tóxica (DPT): 5 mg F/kg de peso. É a que mais aparece — e, quando a questão pede as três doses, a DPT sozinha já elimina as alternativas erradas.

• Dose provavelmente tóxica (DPT): 5 mg F/kg. Ex.: criança de 10 kg → 50 mg de flúor.

• Dose seguramente tolerada (DST): 9 a 16 mg F/kg (há variação na literatura; algumas questões trazem 8 a 10).

• Dose certamente letal (DCL): 32 a 64 mg F/kg.

Essas são doses de intoxicação aguda — ingestão de grande quantidade em curto período. Já a intoxicação crônica é a ingestão continuada acima do limite diário adequado, de 0,05 a 0,07 mg F/kg, e leva à fluorose.

Fluorose

Fluorose: resulta do efeito do excesso de flúor sobre os ameloblastos, alterando o crescimento dos cristais e gerando esmalte poroso e mal formado, de estrias esbranquiçadas a alterações mais severas. O sinal clínico que fecha o diagnóstico diferencial é a simetria e a bilateralidade — ao contrário da mancha branca de cárie, que aparece em áreas de acúmulo de biofilme.

O que a banca cobra sobre fluoretação da água?

Que ela é medida de prevenção de primeiro nível, reduz a incidência de cárie em cerca de 60% e só mantém o efeito enquanto for contínua.

Interrompida a fluoretação, o efeito se perde. Vale reforçar que as críticas em circulação sobre a segurança do flúor não têm respaldo científico: a eficácia no controle da cárie e a segurança do uso racional estão bem estabelecidas na literatura.

Como estudar cariologia para a Cesgranrio?

Resolvendo as questões anteriores da banca, mas corrigindo a teoria pelo conceito atual.

Faça o caminho em três passos: resolva a questão antiga e entenda o gabarito da época; identifique o que mudou (conceito de doença, atividade da lesão, critério de restauração, papel do flúor); e refaça a questão com a linguagem atual, que é a que tende a aparecer numa prova elaborada agora. Cariologia, flúor e traumatismo formam o tripé que mais rende pontos nessa banca.

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• Fonte oficial: página do concurso Transpetro 2026 na Fundação Cesgranrio

Perguntas frequentes

A cárie é transmissível de mãe para filho?

Não, no sentido clássico. As bactérias envolvidas fazem parte da microbiota bucal de todos. O que se “transmite” são hábitos, sobretudo o consumo frequente de açúcar.

Mancha branca precisa de restauração?

Não, se não houver cavitação. A conduta é remineralização: controle de biofilme, orientação de dieta e flúor tópico.

Qual é o principal ácido envolvido na cárie?

O ácido lático.

Qual dose de flúor mais cai em prova?

A dose provavelmente tóxica (DPT), de 5 mg de flúor por quilo de peso.

Toda dentina cariada precisa ser removida?

Não. Remove-se o tecido infectado e preserva-se a dentina afetada, com bom selamento marginal — princípio do ART e da remoção seletiva.

Conclusão

Cariologia é o bloco que mais decide pontos na prova de Odontologia da Cesgranrio e é onde a defasagem entre o material de treino e a teoria atual mais aparece. Dominar o conceito de desbiose, o pH crítico, o diagnóstico de atividade, os critérios de restauração e os números do flúor resolve uma fatia grande da prova — e ainda ajuda em saúde pública e odontopediatria.

Até 29 de novembro ainda dá tempo de fazer uma preparação dirigida. O preparatório da CD Concursos para a Transpetro foi desenhado a partir da estatística das provas da banca, com aulas de todas as disciplinas do edital e revisões na reta final.

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Escrito por Dárcio Kitakawa. Mestre (2003) e Doutor (2006) em Biopatologia Bucal pela Unesp. Fundador da CD Concursos e autor do livro 10.000 Questões para Concursos de Odontologia.

Conteúdo baseado na aula do preparatório com a Profa. Carolina Cardoso Guedes, especialista em Odontopediatria, mestre e doutora em Ciências pela Unifesp/Escola Paulista de Medicina.

Escrito por Darcio Kitakawa. Mestre em Biopatologia Bucal pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2003) e Doutorado em Biopatologia Bucal pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2006). Fundador da CD Concursos e Autor do Livro 10.000 Questões para Concursos de Odontologia.

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